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Conversando com o Pediatra

Parte II — Principais problemasCapítulo 44 de 46

Pele: diferenças entre a da criança e a do adulto, cuidados básicos, principais doenças

Do banho do recém-nascido ao protetor solar, da brotoeja ao piolho: um guia prático para cuidar da pele das crianças e reconhecer suas doenças mais comuns.

  • AutoriaCicero Macedo Cruz, Maria de Fatima Lopes da Cruz, Otelo Schwambach Ferreira, Roberta Cardoso de Siqueira e Vanessa Lucília Silveira de Medeiros
  • Leitura45 min · 9,478 palavras
  • No livropáginas 1030–1052
  • Conversa43 perguntas respondidas

Resumo do capítulo

O capítulo começa explicando o que diferencia a pele da criança da do adulto: mais fina, delicada e sensível a irritações, infecções, sol e produtos químicos. Em formato de perguntas e respostas, os autores orientam sobre os cuidados do dia a dia — banho, sabonete, roupas de algodão, troca de fraldas, unhas, cabelos, maquiagem na infância e na adolescência, proteção solar e diferenças entre cremes, pomadas e líquidos.

A segunda parte percorre as principais doenças de pele na infância: hemangioma e mancha vinho do porto, dermatite da fralda (com o “tratamento seco” ensinado por um professor de Pediatria), crosta láctea, brotoeja, acne, dermatite atópica, urticária, picadas de insetos e de abelhas, molusco contagioso, verruga, impetigo, furúnculo, micoses, vitiligo, hanseníase, sarna, bicho geográfico, piolho, bicho de pé e manchas provocadas pelo limão. Ao longo do texto, os autores apontam cuidados possíveis em casa e quando buscar o médico.

Para quem: Para pais e cuidadores que querem cuidar bem da pele dos filhos no dia a dia e reconhecer as doenças de pele mais comuns na infância.

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O que diferencia a pele das crianças da dos adultos?

O material gorduroso e esbranquiçado que cobre a pele das crianças recentemente nascidas, o vernix caseoso, é normal e desaparece naturalmente em poucas horas. O eritema tóxico é erupção caracterizada por pequenas lesões parecidas com picadas de insetos e provavelmente produzida pelo contato com roupas ou outros elementos da vida extrauterina é outro aspecto observado. Também desaparece naturalmente. O milium é composto por pequenos pontos branco-amarelados na face que tendem a desaparecer espontaneamente após algumas semanas ou meses.

A pele dos bebês é mais fina e delicada que a dos adultos. É também mais sensível a irritações e infecções como o impetigo, ao asseio inadequado, aos raios solares, aos traumas e aos produtos químicos.

A grande extensão em relação ao peso e outras características da pele fazem com que eles sofram mais os efeitos do frio e do calor; possam ser intoxicados pelo álcool para baixar a febre e tenham mais efeitos danosos com os corticoides usado localmente. Os anos tornam a pele mais espessa, menos extensa por quilo de peso, mais resistente e menos sujeita às doencinhas de criança.

O que são as manchas arroxeadas nas nádegas?

Chamadas “manchas mongólicas” decorrem da miscigenação racial e, por isso, são muito encontradas nos brasileiros que carregam a genética das três raças que caracterizam a nossa população. São ocasionadas pelo acúmulo da melanina e mais notadas na região do sacro ou nas nádegas, mas podem ser notadas em outras regiões corporais. Não significam anormalidades e tendem a desaparecer, sem tratamento, com a idade.

Quais cuidados tomar com a pele do recém-nascido?

  • Banhos — A rotina inclui um banho de imersão logo após o nascimento. A temperatura da água deve ser ajustada de acordo com a sensibilidade do bebê e a temperatura ambiente. Em clima tropical, preferir a água não aquecida.
  • Sabonete — Usar sabonete para criança e evitar o uso excessivo.
  • Vestuário — Preferir as roupas de algodão, leves e claras. Evitar as de tecido sintético e de cores fortes. Lavar a roupa com sabão de coco sem amaciantes e alvejantes. Aquecer o bebê apenas o suficiente, o que varia com a temperatura ambiental. Nas regiões quentes e úmidas, é comum ver crianças com excesso de vestuário o que favorece o aparecimento de algumas doencinhas. Uma maneira prática para os primeiros meses é colocar uma roupa a mais do que o cuidador está usando. Por exemplo, se o adulto está confortável com uma blusa de manga curta, colocar uma blusa de manga comprida no bebê. Observar então como a criança se comporta em relação a suor ou se manifesta desconforto.
  • Fraldas, asseio, cremes e pomadas — As fraldas de algodão, praticamente extintas pela indústria dos descartáveis, se usadas devem ser trocadas imediatamente após cada xixi ou cocô. As descartáveis de boa qualidade mantêm a pele do bebê seca até determinado volume de xixi e devem ser trocadas antes de ficarem encharcadas e imediatamente após cada evacuação. Os descartáveis não absorvem as fezes, que agridem a pele. Eles dificultam a “respiração” da região coberta e favorecem vários tipos de dermatite, principalmente por fungos. Para garantir a higiene adequada do bebê durante as trocas de fraldas, é recomendado utilizar água corrente e sabonete infantil para lavar a região, sempre que houver presença de fezes. Quando não for viável, lançar mão do algodão umedecido com água. Evitar o uso de lenços umedecidos e loções higiênicas. Para prevenir irritações e assaduras, é importante utilizar cremes e pomadas que protejam a pele sem irritá-la ou deixá-la engordurada em excesso. O ideal é testar diferentes produtos até encontrar o ideal para o bebê. Deve-se evitar o uso indiscriminado de cremes com nistatina sem orientação médica. Em caso de irritação local, evitar o uso de cremes com vitamina A, que podem agravar o problema. Por fim, é fundamental evitar o uso excessivo de produtos que possam prejudicar a saúde da pele, mantendo sempre a região limpa e seca.

Qual o melhor esquema para o convívio com o calor?

Vestuário sumário e ambiente naturalmente ventilado são os remédios corretos. A criança, desde novinha, deve ser adaptada a viver no seu ambiente. Se a temperatura está elevada, hidrate-a bem e escolha o melhor cômodo da casa para seu repouso. A “neura” de usar ventilador e, sobretudo, o ar-condicionado deve ser combatida.

O asseio da menina é igual ao do menino?

O asseio genital nos dois sexos é diferente. Consultar o capítulo sobre os genitais, neste livro. A pele das meninas apresenta alguns problemas especiais face ao uso de brincos, esmaltes, batons e maquiagens.

Como deve ser o asseio da pele das crianças maiores?

Crianças que vivem em áreas tropicais ou que realizam atividades físicas intensas podem precisar tomar mais banhos para manter a higiene adequada. É recomendável usar sabonetes infantis em pequenas quantidades, e enxaguar completamente e sem demora, para evitar irritações na pele. É importante educar as crianças sobre a importância da higiene e os pais devem aproveitar o momento do banho para conversar sobre o assunto. A partir dos 6 anos, as crianças devem começar a se banhar sozinhas, mas é recomendável que os pais acompanhem por alguns anos para garantir que tudo esteja indo bem.

Como cuidar das unhas?

As unhas dos bebês novinhos são delicadas. Quando estão embutidas no leito ungueal, não devem ser cortadas. Quando longas, devem ser cortadas com tesourinha sem ponta ou com o cortador de unha. Deve ser apenas retirado o excesso com cuidado para não traumatizar a pele fininha ao redor. Na criança mais ativa, pode ser preferível fazer isso durante o sono e nada de tirar a cutícula. O corte deve ser feito reto, sem deixar muito rente para não haver risco de cortar demais e nunca cortar os cantos. Alguns bebês apresentam unhas encravadas espontaneamente logo após o nascimento. Nesse caso é recomendado compressas mornas, e em algumas situações, o médico poderá recomendar a aplicação de medicação tópica.

Nas crianças maiores, as unhas devem ser periodicamente cuidadas. Essas crianças têm contato com areia e terra, brincam sem sapatos e sempre existe debaixo das unhas uma “sujeirinha” que pode ser fonte de doenças. As unhas devem ser mantidas curtinhas. É permitido, nas crianças em qualquer idade, dar uma escovadinha bem de leve no encontro da unha com a pele, utilizando uma escovinha macia, água e sabonete infantil. Nada de tentar tirar a cutícula e nada de embelezamento excessivo. Cuidado com acetona, a lâmina ungueal é fina e pode se danificar com esse tipo de produto. É normal a ocorrência de manchas brancas na unha (leuconiquia transversal) pois a matriz é muito delicada e sofre com pequenos traumas.

Quando permitir o esmalte, o batom e a maquiagem?

As garotinhas têm uma tendência natural de imitar os modelos femininos ao seu redor e desejar usar esmaltes, batons e maquiagem desde muito cedo. A mídia, as bonecas super maquiadas e os presentes das vovós intensificam ainda mais esse aspecto do consumo. No entanto, é importante adiar o máximo possível o contato com esses produtos, pois todos eles implicam a exposição a substâncias químicas que podem propiciar o desenvolvimento de alergias. É recomendável utilizar a linha de produtos para crianças de fabricantes idôneos e responsáveis, evitando sempre o uso dos empregados nas bonecas. Além disso, é importante estar atento a possíveis anormalidades após a aplicação.

E o uso desses produtos nas adolescentes?

As adolescentes devem evitar o uso frequente de bases de maquiagem. Esses produtos podem propiciar ou agravar a acne, comum na adolescência. Quando necessário, optar por produtos para pele oleosa. Batom, blush, sombra, rímel e outros produtos de maquiagem podem ser usados, exceto se o adolescente for alérgico. Neste caso, um dermatologista deve ser consultado para o diagnóstico correto da alergia, orientações e acompanhamento.

Como cuidar dos cabelos? Algum xampu especial? E a caspa?

Deve-se optar por um xampu suave e adequado para a idade da criança, de preferência, sem sulfatos e outros ingredientes agressivos que podem irritar o couro cabeludo. A frequência de lavagem normalmente é diária em locais de clima quente, mas pode ser mais espaçada, desde que seja suficiente para manter cabelos e couro cabeludo limpos e saudáveis.

O condicionador ajuda a hidratar e nutrir os cabelos, deixando-os mais macios, brilhantes e fáceis de pentear. Isso é especialmente importante para crianças com cabelos crespos, cacheados ou muito longos, que são mais propensos a emaranhar e formar nós. Importante escolher um produto suave e seguro, especialmente formulado para cabelos infantis. Depois da lavagem com xampu, aplica-se o condicionador nos cabelos, concentrando-se nas pontas, evitando o couro cabeludo. O enxague deve ser completo. Os cabelos ficarão mais macios e fáceis de pentear, reduzindo a dor e o desconforto que as crianças podem sentir ao desembaraçá-los. É importante pentear o cabelo das crianças regularmente para desembaraçar os fios e evitar a formação de nós. Deve-se usar um pente com dentes largos ou escova apropriada para o desembarace, iniciando pelas pontas e subindo gradualmente até as raízes.

Na presença de caspa ou se a criança tiver outros problemas no couro cabeludo, como coceira, vermelhidão, é importante consultar um dermatologista para avaliar a condição e recomendar o tratamento adequado. A caspa pode ser manifestação de dermatite seborreica ou atópica, da psoríase e de algumas micoses.

Como deve ser a proteção solar?

Bebês de 0 a 6 meses não devem ser expostos diretamente ao sol e devem ser mantidos na sombra. A partir dos 6 meses, é importante evitar a exposição solar direta entre 10 e 16 horas. É recomendável também o uso de roupas protetoras como camisas e chapéus e a aplicação de protetor solar adequado para a idade. Importante lembrar que quanto mais clara a pele, maiores os riscos de queimadura solar envelhecimento precoce e desenvolvimento de câncer de pele. Além disso, o excesso de sol também pode predispor à catarata na idade adulta. Portanto, é fundamental que os pais e responsáveis sejam conscientes sobre a importância da proteção solar em crianças e incentivem o hábito de se protegerem. Essa medida pode contribuir significativamente para a saúde e bem-estar dos pequenos e prevenir doenças causadas pela radiação solar na idade adulta.

Qual protetor usar?

A proteção solar uma prática que deve ser estimulada desde cedo para se tornar hábito, especialmente para aquelas crianças de pele mais clara, as com tendência a desenvolver sardas e as que tenham pais ou avós com histórico de câncer de pele. Deve ser preferido o protetor solar em loção cremosa indicado para a faixa etária e com fator de proteção solar (FPS) acima de 30. Deve ser aplicada uma camada do protetor em toda pele não coberta por roupas ou chapéu 30 minutos antes da exposição solar e a reaplicação deve ser feita a cada 2 horas ou após transpiração excessiva ou banho, mesmo em dias nublados. Não esquecer das orelhas e da nuca. Observar que o uso de roupas protetoras diminui a quantidade produto aplicado na criança, uma vez que não é necessária a aplicação em pele coberta por elas, mas os pais devem ficar atentos para não permitir a retirada das roupas durante o período de exposição.

É importante observar se há ardência ou vermelhidão nos olhos, que indica sensibilidade ao produto, podendo se manifestar horas após a aplicação ou ao suar/ molhar o rosto.

Como usar os remédios em cremes, pomadas e líquidos?

As diferenças dos remédios em veículos como cremes, pomadas e líquidos estão relacionadas à forma de aplicação, absorção e efeitos terapêuticos.

  • Cremes: tem consistência macia, se espalham facilmente na pele. São indicados para tratamentos de áreas de pele mais extensas, como na dermatite atópica, e são facilmente absorvidos pela pele.
  • Pomadas: tem consistência mais espessa e oleosa, que formam uma camada protetora sobre a pele. São indicadas para tratamentos de lesões mais localizadas e mais ressecadas, são mais difíceis de serem absorvidas pela pele, mas podem ter o efeito mais prolongado.
  • Líquidos: podem ser utilizadas em sprays ou soluções tópicas. São indicados para tratamentos em áreas específicas, como as mucosas e o couro cabeludo, e são facilmente absorvidos pela pele.

É importante ressaltar que a escolha do medicamento em creme, pomada ou líquido deve ser feita pelo médico, levando em consideração a condição clínica da criança, aspectos da lesão e a área a ser tratada. Além disso, é importante seguir corretamente as instruções de uso do medicamento, para garantir a eficácia e segurança do tratamento.

44.1Principais doenças da pele nas crianças

Meu filho nasceu com uma lesão cor de sangue na pele. O que é isso?

Deve ser um hemangioma que é lesão vascular congênita que pode se apresentar de várias maneiras. Os hemangiomas geralmente aparecem nas primeiras semanas de vida como uma mancha vermelha na pele e podem aumentar de tamanho rapidamente, especialmente nos primeiros meses. À medida que crescem, eles podem se tornar mais elevados e ter uma aparência semelhante a um “morango”. Costumam ser macios e compressíveis, e podem ter uma temperatura mais elevada que a pele ao redor. A maioria é inofensiva e desaparece gradualmente sem a necessidade de tratamento. No entanto, mais raramente, alguns podem crescer rapidamente ou apresentar riscos para a saúde, dependendo da sua localização e tamanho. Nesses casos, o médico pode recomendar o uso de medicamentos, cirurgia, terapia a laser ou uma combinação desses métodos para reduzir o tamanho ou remover a lesão. Por isso, todo hemangioma infantil deve ser avaliado e seguido pelo médico, para avaliar o risco, a velocidade de crescimento e a necessidade ou não de tratamento específico para cada lesão.

O filho da minha vizinha nasceu com uma mancha vermelha no rosto. O médico disse que era mancha vinho do porto. É o mesmo que hemangioma infantil?

Não. A mancha de vinho do porto é considerada uma forma particular de malformação vascular. Manifesta-se ao nascimento como uma mancha plana, de cor característica vermelho-vinho, de tamanho variável. Geralmente acomete a pele do rosto ou do pescoço e é permanente. Apesar de inofensiva, pode causar grande incômodo estético. A camuflagem com maquiagem é útil e a terapia a laser feita por um dermatologista experiente nessa tecnologia, pode ajudar a melhorar a aparência da mancha.

Vale destacar que, quando a mancha está localizada no terço superior da face, próximo ao olho, na testa, ou se estender até o couro cabeludo, deve-se suspeitar da Síndrome de Sturge-Weber, um distúrbio congênito raro associado a problemas neurológicos como deficiência intelectual e convulsão. Nesse caso, é importante que a criança seja avaliada por um neurologista para um diagnóstico preciso e um acompanhamento adequado.

No Brasil, ainda são vistas as erupções cutâneas causadas por sarampo e catapora?

Sim. Problemas de natureza infecciosa (sarampo, catapora/varicela, escarlatina, eritema infeccioso, roséola, rubéola, dengue e outras) ou não (doença de Kawasaki) são estudados pelo pediatra embora existam marcantes manifestações dermatológicas que podem exigir a participação do dermatologista. Há capítulos especiais sobre algumas destas doenças neste livro.

O que é dermatite da fralda?

É uma inflamação na pele da área coberta pela fralda. É causada pela umidade, calor, fricção, contato com urina e fezes com proliferação de bactérias e fungos. É comum em bebês e crianças pequenas que usam fraldas. Existe vermelhidão, irritação, coceira e até feridas no local.

O tratamento inclui medidas de higiene: trocar a fralda com frequência, manter a área limpa e seca, usar fraldas de boa qualidade e deixar a pele ventilada sem fralda sempre que possível. Além disso, é recomendado o uso de cremes ou pomadas de barreira, que protegem a pele do contato com o xixi e o cocô e ajudam na sua cicatrização. Em alguns casos, é necessário o uso de pomadas com corticoides ou antifúngicos para combater a inflamação e as infecções secundárias. É importante lembrar que o tratamento deve ser orientado pelo médico pediatra ou dermatologista, para evitar o uso inadequado de medicamentos e garantir a segurança e eficácia do tratamento.

Agora um segredinho, desses que são aprendidos com os mais experientes. Há mais de 50 anos um excelente professor de Pediatria ensinou a um jovem médico o “tratamento seco” para esse tipo de dermatite. E esse médico pratica a abordagem, desde então, com sucesso em muitos pacientes. Não em 100%, pois esse percentual não é alcançado com nenhuma terapêutica. O tratamento seco é assim

  • Não utilização de cremes ou pomadas.
  • Nos banhos de rotina, ou após evacuação e micção, a criança é submetida ao asseio usual.
  • O enxugamento é feito com toalhas de algodão ou com papel absorvente sem atrito. Apenas encostando a toalha ou o papel absorvente até que a pele esteja bem seca.
  • O enxugamento é ainda mais completo com o uso do secador de cabelo, sem calor, apenas com o jato de ar.
  • E ainda para secar mais a pele, é possível usar talco após o uso do secador de cabelo.
  • Não usar fralda descartável. Usar a de algodão. E deixar por muitas horas, a pele da região “respirar”, ou seja, sem cobertura com fralda.

Evidentemente o médico deve ser consultado se, após 2-3 dias desse “tratamento seco”, a pele continuar doente.

O que é a crosta no couro cabeludo? Como trato?

Também chamada crosta láctea é uma variante da caspa comum em bebês. É caracterizada pela formação de crostas gordurosas, amareladas e aderentes ao couro cabeludo. A pele ao redor pode estar avermelhada. Em certos casos ocorre infecção bacteriana secundária.

Os cuidados incluem lavar cuidadosamente a cabeça com xampu infantil suave e água morna, massageando suavemente o couro cabeludo com as pontas dos dedos. Antes do banho é bom aplicar óleo mineral ou óleo de amêndoa, em pequena quantidade e suavemente no local. Após alguns minutos as crostas estão amolecidas. Em seguida, passar um chumaço de algodão delicadamente removendo as crostas, já soltas, sem promover sangramento. O cabelo pode ser lavado em seguida normalmente e algumas crostas a mais irão se desprender. É importante lembrar que o problema é condição benigna e geralmente desaparece com o tempo, sem deixar cicatrizes ou sequelas. Entretanto, algumas vezes, é necessária a associação de remédios, evidentemente prescritos pelo médico.

E a brotoeja?

Ou miliária é a erupção cutânea causada pelo aumento da produção de suor e obstrução do canal da glândula. Com a obstrução, o suor não consegue atingir a superfície e extravasa para dentro da pele. Temperatura ambiental elevada, exposição prolongada ao sol, excesso de agasalhos, uso de roupas de tecido sintético, banhos prolongados, surtos febris e exercícios físicos são os principais fatores desencadeantes. Caracteriza-se por pequenas lesões cutâneas vermelhas e elevadas, geralmente acompanhadas de coceira intensa.

É mais comum em áreas do corpo propensas à transpiração, como o pescoço, as costas, o rosto e as dobras de pele. Ocorre em qualquer idade, mas é mais comum em bebês e crianças pequenas, especialmente em obesos e nos climas quentes e úmidos. Não é raro ocorrer infecção secundária, com o surgimento de (pústulas, vesículas com pus) ou até abscessos (nódulos dolorosos, vermelhos e quentes).

A prevenção é conseguida pelos meios que evitam o excesso de sudorese: roupas ventiladas e de algodão, banhos frios e proteção contra o calor. A pasta d´água e a pasta com goma de tapioca ou amido e água (fórmula popular) são úteis no tratamento. Corticoide de baixa potência em creme alivia a coceira e diminui o processo inflamatório.

Se houver pústulas, lavar a região com água e sabonete comum e o médico indica antibiótico local. Se houver abscessos, fazer também compressa morna. Nesse caso, pode ser necessário uso de antibiótico orientado pelo médico.

O que é a acne?

É uma condição comum da pele que ocorre quando os folículos pilosos ficam obstruídos com sebo (óleo) e células mortas da pele. Isso leva ao desenvolvimento de cravos (comedões). Quando há inflamação no local e aumento de bactérias, ocorrem as espinhas, que podem ser bolinhas vermelhas ou lesões inflamadas e dolorosas. Compromete áreas onde há riqueza de glândulas sebáceas como a face e as regiões anterior e posterior do tórax. É mais comum na adolescência, especialmente após a puberdade. É causada por vários fatores, incluindo predisposição genética, desequilíbrios hormonais, dieta inadequada, estresse e uso de certos medicamentos. Óleos e cremes podem desencadear ou agravar o quadro.

O tratamento depende da intensidade. De forma geral, são necessários alguns cuidados como manter a pele limpa que pode ajudar a reduzir a produção de óleo e prevenir a obstrução dos poros. Isso pode incluir produtos clássicos como, sabonetes suaves para pele oleosa com ou sem ácido salicílico e soluções de limpeza para acne. Podem ser empregados medicamentos tópicos como, cremes, loções ou géis com ingredientes específicos.

Nos casos intensos, o médico pode prescrever antibióticos para ajudar a controlar as bactérias que contribuem para a acne. A isotretinoína oral é recomendada em casos muito intensos e resistentes ao tratamento usual.

O que é a isotretinoína?

É um medicamento altamente eficaz no tratamento da acne grave. Atua reduzindo a produção de óleo pelas glândulas sebáceas, diminuindo a inflamação e a formação de cravos. A acne pode afetar significativamente a qualidade de vida e a autoestima dos pacientes, especialmente quando se trata de acne grave e resistente ao tratamento. Nesses casos, a isotretinoína pode proporcionar benefícios significativos tanto físicos como emocionais.

No entanto, pode também ocasionar efeitos colaterais graves que incluem ressecamento da pele e dos lábios, sensibilidade à luz solar, vermelhidão e irritação da pele, sangramento nasal, aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue, dores musculares e nas articulações, depressão e ansiedade. Além disso, a isotretinoína ocasiona risco significativo de defeitos congênitos em bebês. Por esse motivo, é contraindicado em gestantes e as mulheres em idade fértil devem usar contracepção eficaz durante o tratamento e por mais um mês após a interrupção do medicamento.

Devido aos efeitos colaterais, a isotretinoína oral deve ser prescrita apenas por médicos dermatologistas especializados no tratamento da acne grave. O paciente deve ser monitorado de perto durante todo o tratamento.

O que é dermatite atópica?

É problema crônico e recorrente. Resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais, que levam a uma exacerbação da resposta imune e inflamação crônica na pele. Compromete a função de barreira exercida pela pele e produz sintomas como coceira intensa e erupções cutâneas recorrentes. As lesões vermelhas e descamativas afetam, principalmente, as áreas flexoras dos braços e pernas, pescoço e rosto e podem ser agravadas por fatores como estresse, clima seco e contato com irritantes da pele. É mais comum em crianças e os sintomas podem melhorar ou desaparecer completamente na medida em que elas entram na adolescência ou na idade adulta. No entanto, em algumas pessoas, a doença pode persistir ou até piorar na vida adulta, especialmente naquelas com antecedentes familiares de alergia.

A dermatite atópica é frequentemente associada a outras doenças alérgicas, como rinite e asma, em um processo conhecido como “marcha atópica”. A marcha atópica sugere que a exposição a alérgenos na infância pode desencadear inicialmente a dermatite atópica, que pode levar à sensibilização das vias respiratórias e, eventualmente, à rinite e à asma. No entanto, é importante notar que nem todas as pessoas com dermatite atópica desenvolvem outras doenças alérgicas, e nem todas as pessoas com rinite alérgica ou asma têm dermatite atópica. Cada pessoa é única e pode ter uma combinação diferente de fatores genéticos e ambientais que contribuem para a manifestação de suas doenças alérgicas.

A coceira intensa pode interferir no sono da criança e causar fadiga e queda do rendimento escolar durante o dia. Quando intensa, o paciente coça até sangrar. Infecções secundárias ocorrem. Além disso, a doença pode afetar a autoestima especialmente se o enfermo tiver erupções cutâneas visíveis em áreas expostas do corpo, como o rosto ou as mãos.

O apoio e a compreensão da família são essenciais para que o paciente lide melhor com a dermatite atópica e sua autoestima não seja afetada negativamente.

Como é o tratamento?

Proteção da pele: os banhos são uma parte importante dos cuidados. Deve-se evitar banhos longos e quentes. São recomendados os sabonetes suaves, sem fragrâncias. Preferentemente empregar produtos que sejam especialmente formulados. Não usar esponjas ou buchas e usar toalha macia para secar a pele delicadamente, sem esfregar. Manter as unhas curtas para evitar feridas e infecções secundárias causadas pelo ato de coçar. É fundamental manter a pele sempre hidratada através do uso de cremes ou loções hidratantes suaves e sem fragrância. Devem ser aplicados em todo corpo logo após cada banho, enquanto a pele ainda está úmida. Isso ajudará a selar a umidade na pele e prevenir o ressecamento. Usar roupas confortáveis e de tecidos respiráveis, como algodão.

Identificação e tratamento dos gatilhos que pioram a doença: certos alimentos, poeira, pólen, ácaros, perfumes, maquiagens, esmaltes de unha e produtos químicos. Não usar perfume ou maquiagem. A mãe, quando em contato com o filho, também deve evitar o uso desses produtos. Evitar o contato prolongado de alimentos ao redor da boca e trocar as fraldas após micção e defecação. Lavar a roupa com sabonete de coco, enxaguar bem e não usar alvejantes ou amaciantes. Evitar picadas de inseto com o auxílio de roupas compridas, meias e mosquiteiros. O benefício do uso de repelentes no paciente com dermatite atópica deve ser avaliado individualmente pelo médico dermatologista.

Controle ambiental físico e emocional: tentar controlar a temperatura para evitar sudorese excessiva. Retirar cortinas, carpetes, animais de pelúcia do quarto. Passar pano úmido nos móveis e piso diariamente. Não usar aerossóis, trocar roupa de cama, no mínimo duas vezes por semana. Usar protetor antialérgico de travesseiro e de colchão. Evitar fumaça de cigarro e contato com gatos, cachorros, passarinhos. Ambiente emocional saudável ajuda na prevenção e na cura.

Tratamento medicamentoso: quando o acometimento da pele é extenso, e o desconforto é significativo ou se os sintomas estiverem piorando, um médico dermatologista deverá ser consultado para prescrever um plano terapêutico consistente e acompanhar a evolução do tratamento. Importante lembrar que todos os cuidados de rotina já mencionados devem ser mantidos em conjunto.

O que é urticária? E o angioedema?

A urticária é condição comum caracterizada pelo surgimento rápido de placas vermelhas e elevadas na pele com muita coceira. As lesões podem aparecer em qualquer parte do corpo e variam em tamanho e forma. Têm duração curta de minutos a horas, normalmente até 24 horas. Novas lesões podem surgir em outros lugares, à medida que as outras desaparecem. Ela é classificada como aguda quando as lesões surgem abruptamente e regridem em até seis semanas ou como crônica quando dura mais de seis semanas. A urticária aguda é uma reação alérgica desencadeada por uma série de fatores, incluindo alimentos (leite, ovos, amendoim, nozes, peixes, mariscos, soja, trigo e frutas cítricas), substâncias inaladas (poeira doméstica, ácaros, pólen, mofo, pelos de animais e produtos químicos presentes em sprays e aerossóis), medicamentos (antibióticos, antitérmicos, anticonvulsivantes), picadas de insetos; contato com plantas, exposição ao sol, infecções (hepatites virais, parasitoses intestinais, infecção do trato urinário) e agentes físicos (frio, calor, pressão). A urticária crônica pode ser doença da imunidade. Apesar desse conhecimento, em grande parte dos pacientes investigados a causa não é definida. Sempre importante salientar que a urticária não causa risco de vida ao paciente.

O angioedema é uma condição não comum em que ocorre o inchaço súbito e temporário de uma parte do corpo, como o rosto, lábios, língua, mãos ou pés. É causado por uma reação alérgica ou por uma condição genética rara e pode ser acompanhado de urticária. Quando o angioedema afeta a laringe, pode levar a um edema de glote e causar dificuldades respiratórias graves, tornando-se uma emergência médica que necessita de assistência hospitalar imediata.

Como é o tratamento da urticária?

A urticária aguda geralmente não é grave, mas pode ser extremamente incômoda e desconfortável ao paciente. Com o tratamento adequado, a maioria dos casos melhora em alguns dias ou semanas. O tratamento consiste no afastamento do fator causal, quando identificado e possível, e no uso de anti-histamínicos que reduzem a reação alérgica. A avaliação médica é necessária.

Para a urticária crônica, quando o quadro persiste por mais de seis semanas e não se identifica o fator desencadeante, há opções de tratamento modernas, com imunobiológicos. No entanto, são medicamentos de custo elevado e devem ser prescritas apenas por médicos dermatologista ou imunologista.

E a alergia à picada de “muriçoca”?

A “muriçoca” ou pernilongo e outros insetos (percevejos, pulgas e maruins) injetam substâncias na pele que desencadeiam reações de intensidade variada que dependem da sensibilidade do indivíduo. Alguns fatores que podem atrair esses insetos incluem roupas escuras ou brilhantes, calor, umidade, pele ferida ou irritada e uso de perfumes. Climas quentes e úmidos também podem favorecer as picadas de insetos.

O estrófulo é a manifestação cutânea mais comum e frequentemente ocorre em crianças de 1 a 6 anos, especialmente aquelas com histórico de asma, rinite alérgica ou dermatite atópica. As lesões aparecem como pequenas pápulas (carocinhos) avermelhadas que coçam intensamente e podem durar cerca de uma semana. As áreas descobertas do corpo são as mais afetadas e o ato de coçar pode causar escoriações que podem levar a infecções secundárias, manchas residuais e até cicatrizes.

O tratamento depende da intensidade da reação. Em casos leves, é importante lavar o local da picada com água e sabão e evitar coçar o local para prevenir infecções secundárias. É possível aliviar o desconforto com compressas frias no local, pomadas ou cremes à base de corticoides, antialérgicos orais. Caso haja infecção secundária, pode ser necessário o uso de antibióticos tópicos ou até orais. Em casos raros e intensos, com anafilaxia e sintomas gerais, incluindo coceira, vermelhidão, inchaço, falta de ar, queda abrupta da pressão arterial e choque anafilático é necessário buscar assistência médica imediata.

Falem sobre a doença causada pela“pichilinga”?

“Pichilinga” é um parasito da pele de diversas aves. Alimenta-se do sangue das aves e também do ser humano. Causa uma dermatite pouco conhecida e pouco diagnosticada. É doença cada vez mais frequente, especialmente nos centros urbanos, onde os pombos são os principais responsáveis pela disseminação desses parasitas. Os ninhos dos pombos encontrados nos telhados, caixas de condicionadores de ar e janelas muitas vezes estão infestados desses piolhos. Eles são muito pequenos. Migram à noite para se alimentar e durante o dia se escondem em frestas e ranhuras dos móveis ou do colchão ou retornam aos ninhos. Nos humanos, as picadas causam uma dermatite com pequenas lesões vermelhas, localizadas principalmente em áreas de dobras da pele e coçam intensamente.

O tratamento da dermatite consiste principalmente na eliminação da fonte da infestação dos piolhos, especialmente os pombos. É necessário remover seus ninhos e fechar com telas as áreas onde eles possam entrar na casa, como frestas em telhados, caixas de ar-condicionado e janelas. Além disso, é importante limpar e desinfetar o ambiente infestado para eliminar possíveis ovos e piolhos restantes.

Para tratar a doença cutânea é recomendado o uso de corticoides tópicos e antialérgicos orais. O tratamento pode variar de acordo com a gravidade dos sintomas e a orientação do médico dermatologista.

A melhor forma de evitar a “pichilinga” é manter a higiene da casa e evitar a presença de aves em áreas próximas à residência. Se houver sinais de infestação, deve-se buscar ajuda de profissionais especializados em controle de pragas.

Além disso, vale destacar que os pombos podem transmitir outras doenças, como a criptococose e a histoplasmose, que podem ser graves para os humanos. Por isso, é fundamental manter a higiene das áreas onde esses animais costumam frequentar, além de evitar o contato direto com eles e suas fezes.

Como evitar as picadas dos insetos?

Vestimentas adequadas: roupas de manga comprida e calças não muito justas devem ser usadas para cobrir o máximo de pele possível, especialmente em áreas com muitos insetos. É recomendado escolher cores claras e evitar estampas florais ou brilhantes que atraem insetos.

Perfumes e fragrâncias: o uso de perfume ou loção perfumada deve ser evitado, pois os insetos são atraídos por cheiros fortes.

Limpeza da casa: a casa deve ser limpa regularmente e quaisquer fontes de água parada que possam atrair mosquitos devem ser eliminadas. É recomendado o uso telas nas janelas e portas.

Mosquiteiros: mosquiteiros devem ser usados especialmente durante a noite.

Áreas infestadas: deve-se evitar áreas com grande presença de insetos, especialmente durante os períodos de maior atividade.

Preservação de animais que se alimentam de insetos: como, sapos, pássaros, aranhas, lagartixas e peixes.

Podemos usar abundantemente os repelentes?

Abundantemente não. O uso de repelentes em crianças deve ser feito com cuidado após ler atentamente o rótulo do produto e seguir as recomendações. Antes de comprar um repelente, verifique se ele é aprovado pela Anvisa.

Os principais ingredientes são DEET, icaridina (ou picaridina) e IR3535. São eficazes e seguros para uso em crianças, desde que sejam usados corretamente e de acordo com as orientações do fabricante para a faixa etária de cada produto. Nenhum repelente deve ser aplicado na pele de crianças com menos de 2 meses de vida. Dos 2 aos 6 meses, só deve ser usado em situações excepcionais e com orientação médica.

Deve-se aplicar uma fina camada na pele exposta e a versão em spray pode também ser borrifada sobre a roupa, especialmente a calça comprida. Nenhum produto deve ser aplicado próximo aos olhos, boca, mãos e feridas na pele. A criança maiorzinha que já aprendeu a aplicar o repelente corretamente sozinha deve ser orientada também a lavar as mãos com água e sabão imediatamente após o uso. Vale destacar ainda que, passada a necessidade do efeito do repelente, a criança deve tomar banho para remover o produto da pele.

E os naturais?

Existem muitos tipos de repelentes naturais que são usados para afastar insetos, mas é importante lembrar que, nem todos os repelentes naturais são seguros para uso em crianças e alguns podem causar reações alérgicas ou irritação na pele. Além disso, a eficácia dos repelentes naturais pode ser limitada e pode ser necessário reaplicá-los com mais frequência do que os repelentes químicos.

Óleos essenciais: óleos essenciais, como o óleo de citronela, óleo de eucalipto e óleo de hortelã-pimenta, são usados como repelentes naturais. Esses óleos são aplicados topicamente na pele ou em um difusor de aroma. No entanto, é importante notar que a eficácia desses óleos pode variar e que algumas pessoas podem ser alérgicas a eles.

Velas e incensos: velas e incensos feitos de substâncias naturais, como citronela e andiroba, também são usados para afastar insetos. No entanto, esses produtos são menos eficazes do que os repelentes químicos e devem ser usados com cautela em áreas fechadas, sobretudo pelo risco de incêndio.

E os inseticidas?

Os inseticidas devem ser usados com muita cautela, já que alguns contêm produtos químicos que podem ser prejudiciais à saúde humana e agredir o meio ambiente.

É importante seguir as instruções do fabricante com cuidado e garantir que o produto seja aplicado de forma segura e adequada. Use roupas de proteção, como luvas e máscaras, e evite aplicar inseticidas em áreas onde as crianças e os animais de estimação possam estar presentes. Além disso, deve-se seguir as orientações sobre tempo de espera antes de entrar na área tratada.

Há medidas para prevenir a entrada e a proliferação de mosquitos, reduzindo assim a necessidade de inseticidas: manter as portas fechadas e usar telas nas janelas. Em regiões com insetos de hábitos noturnos, fechar as portas e janelas ao entardecer e usar mosquiteiros. Ar-condicionado ou ventilador são medidas para as famílias que podem comprar e manter tais equipamentos. Eliminar a água parada em vasos de plantas, pneus velhos, latas, garrafas e outros recipientes, pois esses são locais ideais para a proliferação de mosquitos.

E as picadas de abelhas?

As picadas de abelhas, vespas e marimbondos podem ser bastante dolorosas e, em alguns casos, causam reações alérgicas graves. Repelentes tópicos não são eficazes na prevenção. Quando uma abelha pica, ela injeta veneno na pele, o que pode levar a uma reação localizada de dor, inchaço e vermelhidão. Em casos mais graves, a picada produz sintomas como coceira intensa, náusea, tontura, dificuldade para respirar, e até mesmo choque anafilático, que se constitui uma emergência médica e requer atendimento imediato.

Logo após a picada, é importante remover o ferrão. Ele contém uma glândula venenosa que continua a liberar veneno após a picada, por isso é importante removê-lo o mais rápido possível. Deve-se utilizar uma pinça, tomando cuidado para não espremer a bolsa de veneno. Retirado o ferrão, é necessário lavar a área da picada com água e sabão. A compressa fria ajuda a reduzir a dor e o inchaço. Em caso de sintomas graves, deve-se procurar atendimento hospitalar imediato para o suporte necessário e uso de medicamentos.

Para prevenir picadas de abelhas, deve-se orientas as crianças a não perturbar as colmeias de abelhas ou áreas onde elas estão presentes. Em ambientes ao ar livre, evitar usar perfumes ou loções com fragrâncias doces, que podem atrair abelhas.

Face à gravidade da reação à picada de abelha, até com risco de morte, a indústria desenvolveu uma maneira simples de o próprio paciente injetar no seu corpo a adrenalina que é a medicação indicada. Um dos produtos, Epipen, é um dispositivo de adrenalina utilizado pelo próprio paciente, quando em idade adequada, ou por um responsável devidamente treinado, no tratamento de reações alérgicas graves, como o edema de glote e a anafilaxia. É seguro, fácil de usar e permite a autoadministração da adrenalina no músculo da coxa em situações emergenciais, para garantir a vida do paciente até a chegada do mesmo ao serviço de pronto atendimento. Infelizmente, no Brasil, o dispositivo de adrenalina não está disponível para compra nas farmácias, sendo necessário fazer a importação por meio de uma empresa especializada. O produto só deve ser utilizado com prescrição e orientação médica adequadas para seu uso e armazenamento.

O que é o molusco contagioso?

É uma doença viral comum em crianças e altamente contagiosa. É caracterizada pelo aparecimento de pequenas saliências elevadas (cerca de 0,2 a 0,5cm) redondas, firmes, lisas e geralmente, apresentando um pequeno orifício ou depressão no centro. Podem estar isoladas ou agrupadas e acometem preferencialmente o tronco e os membros. Não são dolorosas, a menos que estejam inflamadas. Podem coçar e se espalhar por outras áreas do corpo. O vírus pode ser transmitido por contato direto com a pele infectada ou por compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas e roupas. O diagnóstico é feito por exame clínico.

Como toda doença viral, cura espontaneamente. Em certos enfermos o problema pode durar meses ou anos. O tratamento deve ser instituído precocemente e é indicado para evitar a disseminação no próprio paciente e a transmissão para outras crianças. A técnica escolhida vai depender da quantidade e localização das lesões, além da idade do paciente. A técnica mais simples, a retirada manual das lesões, pode ser realizada em ambiente domiciliar, por familiar mais habilidoso, previamente treinado pelo médico dermatologista. Consiste na limpeza da região e retirada de “massinha” esbranquiçada que sai através de orifício central. Causa um pouco de dor e pode ser realizada com a aplicação de creme anestésico aplicado em pequena quantidade 30 minutos antes do procedimento. Após a retirada, é importante lavar o local com água e sabão ou tomar um banho de chuveiro. Outras formas de tratamento são curetagem, eletrocoagulação, crioterapia, cauterização química e laser feitas pelo dermatologista e alguns medicamentos sob prescrição.

A verruga é muito comum. O que é?

É outra doença viral, portanto contagiosa, e ainda mais comum que o molusco contagioso. É causada por um vírus comum conhecido como papilomavírus humano (HPV). Classicamente, se caracteriza por um crescimento arredondado, duro e elevado na pele, geralmente com uma superfície áspera e com pontinhos pretos. Pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas é mais comum nas mãos, pés e superfícies extensoras dos braços e pernas. Quando localizada na região plantar, causa dor quando pressionada pelo peso da pessoa em pé ou ao caminhar. Normalmente, causa desconforto estético, sobretudo quando localizada nos dedos ou na face.

É adquirida pelo contato direto com outra verruga ou com superfícies contaminadas com o vírus, especialmente se a pele está ferida. O HPV pode ser encontrado em superfícies comuns, como banheiros públicos, chuveiros e bordas de piscinas, e pode sobreviver por um curto período fora do corpo humano.

Embora também tenha cura espontânea, que acontece após alguns meses ou anos, o tratamento deve ser realizado o mais cedo possível e consiste na destruição da lesão. Pode ser feito em casa com uso de medicamentos específicos, prescritos pelo médico dermatologista. Nessas aplicações, é sempre importante ter o cuidado de proteger a pele ao redor da lesão com o uso de gabarito. O gabarito é feito com um pedaço de esparadrapo impermeável de aproximadamente 3 x 3 cm onde, no centro, se abre, com auxílio de tesoura, uma janela redonda do tamanho da verruga. Ele deve ser colado ao redor da verruga, de forma que a lesão fique exposta no centro da janela redonda e a pele ao redor fique protegida pelo esparadrapo aderido. Isso é importante porque o remédio que será aplicado na verruga pode causar irritações na pele saudável ao redor, e o gabarito evita que isso aconteça. Com o gabarito corretamente posicionado, se aplica o medicamento. Normalmente, se recomenda também a oclusão da lesão com a medicação já aplicada, usando outro pedaço de esparadrapo impermeável, sem nenhuma abertura. A oclusão deverá permanecer colada durante 24 horas e o procedimento precisa ser repetido diariamente até a cura.

Outras modalidades de tratamento são cauterização química, eletrocoagulação, laser e crioterapia realizados pelo dermatologista, em consultório.

Falem sobre o impetigo!

É uma infecção bacteriana, cutânea, contagiosa, comum nos pequenos. É caracterizada pelo surgimento de vesículas ou bolhas cheias de pus que rapidamente se rompem originando lesões rosadas recobertas por crostas espessas, amareladas, que lembram uma queimadura de cigarro. É mais comum na face, especialmente no nariz ou ao redor da boca. As lesões podem ser dolorosas ou coçar, e é comum que se espalhem para outras áreas do corpo. Pode ser transmitida por contato direto com a pele infectada ou com objetos contaminados, como toalhas, roupas ou brinquedos.

O tratamento envolve o uso de antibióticos tópicos ou orais, dependendo da intensidade da infecção. Com o tratamento apropriado, as lesões usualmente desaparecem em 7 a 10 dias.

Além disso, são importantes os cuidados de higiene local como, lavar cuidadosamente a área afetada com água morna e sabonete líquido infantil, secar bem a área com uma toalha limpa e lavar a cada uso ou papel toalha, aumentar a frequência de troca das roupas de cama e toalhas manter as unhas curtas e limpas e não coçar ou estourar as bolhas ou crostas, para evitar a disseminação da infecção.

Além disso, deve-se evitar compartilhar toalhas, roupas, lençóis e outros objetos de uso pessoal com outras pessoas, não frequentar piscinas, saunas ou outros locais públicos até que as lesões estejam completamente cicatrizadas.

E o furúnculo?

É uma infecção bacteriana do folículo piloso, geralmente é causado pelo Staphylococcus aureus. Pode ocorrer em qualquer parte do corpo, onde há pelos, como o rosto, pescoço, axilas, nádegas e coxas. Tem início como uma pequena protuberância vermelha, quente e bastante dolorosa na pele, que se desenvolve, tornando-se mais elevada e cheia de pus. À medida que o furúnculo amadurece, pode aparecer um ponto de pus (olho) que eventualmente se rompe e drena o pus. Em casos mais graves, podem surgir febre, mal-estar e fadiga.

O tratamento do furúnculo geralmente envolve a aplicação de compressas quentes na área afetada para ajudar a drenar o pus que ajuda a melhorar a dor a acelera a cura da condição. Para que a compressa morna seja eficaz, deve ser feita com bolsa térmica para água morna ou bolsa térmica de gel. É necessária cautela para evitar queimaduras, a água deve estar com temperatura suportável ao toque. Um pano fino pode ser necessário para enrolar a bolsa térmica e, sim, proteger melhor a pele da temperatura elevada. As compressas devem ser realizadas de duas a três vezes ao dia e o tempo de contato deve ser de 15 a 20 minutos. É importante evitar espremer ou perfurar o furúnculo, pois isso pode agravar a infecção e aumentar o risco de disseminação para outras partes do corpo.

Eventualmente, pode ser necessária a drenagem cirúrgica da lesão. Quando há acometimento da cabeça ou do pescoço e em casos mais graves ou recorrentes, é necessário uso de antibióticos orais.

A furunculose de repetição, requer plano de tratamento consistente e orientado pelo médico dermatologista, que pode envolver a descolonização. Esse método consiste em eliminar ou reduzir a carga bacteriana de Staphylococcus aureus, que é o agente causador do furúnculo, na pele do paciente. A descolonização pode incluir o uso tópico de hipoclorito de sódio bastante diluído, antibiótico tópico em áreas de maior concentração da bactéria, e antibiótico oral. Os familiares que moram juntos com a criança poderão ser solicitados a aderir a certas rotinas para uma melhor eficácia do tratamento.

Em raros casos de furunculose de repetição que não respondem aos planos de tratamento, é necessária investigação mais aprofundada para avaliar se há alguma imunodeficiência.

Hidradenite supurativa é o mesmo que furúnculo?

Não. A hidradenite supurativa (HS) apresenta com lesões parecidas com furúnculos e abscessos, mas têm a particularidade de acometer, preferencialmente, axilas, virilha, região genital e/ou nádegas. Além disso, é característica a recorrência das lesões e a doença pode persistir por anos ou até por toda vida. A HS é uma doença inflamatória, não é infecciosa e é complexa. Em alguns casos, há outras pessoas com a mesma doença na família. É causada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

O tratamento envolve medidas como evitar a obesidade, evitar o tabagismo, compressas mornas, depilação definitiva, algumas classes específicas de antibióticos por longo prazo, antibióticos tópicos, anti-inflamatórios, medicamentos imunobiológicos e, em alguns casos, cirurgia. O diagnóstico precoce, um planejamento terapêutico adequado e o acompanhamento médico no longo prazo são essenciais para manter a inflamação sob controle e evitar a progressão da doença para os estágios mais graves e de mais difícil tratamento.

O surgimento de furúnculos e/ou abscessos em áreas como axilas, virilha, região genital e/ou nádegas de forma recorrente pode indicar a presença de hidradenite supurativa, sendo recomendável a busca por avaliação diagnóstica e planejamento terapêutico com um dermatologista especializado.

Falem sobre as micoses da pele!

Micoses são infecções causadas por fungos que podem afetar pele, cabelos, unhas e mucosas. Na pele da criança, algumas das principais doenças micóticas são:

Tinea (Impinge) — Micose contagiosa causada por um tipo de fungo chamado dermatófito.

  • No couro cabeludo é frequente em crianças e rara nos adultos. Apresenta-se como placa arredondada e descamativa com tonsura (pelos cortados rentes à pele) única ou múltipla. Em raros casos, pode haver reação inflamatória exuberante no local, com formação de nódulo inflamatório, doloroso e supurativo, configurando o chamado querion, que deve ser tratado o quanto antes.
  • No corpo, causa manchas vermelhas e escamosas com borda mais ativa e bem definidas. É mais comum em crianças que frequentam escolas e creches, pois a transmissão pode ocorrer pelo contato com outras crianças infectadas.
  • Quando afeta os pés, pode causar coceira, descamação e rachaduras, muitas vezes confundida com dermatite atópica. Frequentemente, acomete a pele entre os dedos dos pés, causando coceira, descamação, fissura e maceração. Essa apresentação é conhecida como “frieira” ou “pé de atleta”.

Pitiríase versicolor — É uma infecção fúngica que afeta a pele, especialmente as áreas mais oleosas. Não é contagiosa. Causa manchas escamosas e esbranquiçadas ou acastanhadas e podem apresentar discreta coceira. É mais comum em adolescentes, mas também pode ocorrer em crianças.

As micoses cutâneas são evitadas por hábitos higiênicos saudáveis que devem ser estimulados desde cedo: secar bem o corpo após os banhos, principalmente as dobras de pele como o pescoço, as axilas, as virilhas e entre os dedos dos pés; evitar ficar com fraldas ou roupas molhadas por muito tempo; evitar roupas quentes, justas e de tecidos sintéticos; não usar objetos pessoais (roupas, calçados, pentes, toalhas, bonés) de outras pessoas; evitar andar descalço; observar a pele e o pelo dos animais de estimação (cães e gatos) e ao surgir qualquer alteração como descamação ou falhas no pelo, procurar o veterinário.

O tratamento é feito com antifúngicos de uso local e, às vezes, por via oral. Deve-se evitar usar medicamentos por conta própria, pois podem modificar características importantes para o diagnóstico correto. O tempo do tratamento é prolongado e definido pelo médico.

Meu filho tem algumas manchas brancas na pele e estou preocupada. Pode ser vitiligo? O que devo fazer?

As manchas brancas podem ter diversas causas, desde uma simples infecção por fungos como o pano branco até condições mais complexas como o vitiligo.

O vitiligo é uma doença dermatológica que causa a perda de pigmentação da pele, resultando em manchas brancas ou muito claras. A doença ocorre quando as células produtoras de pigmento da pele, conhecidas como melanócitos, são destruídas ou param de produzir melanina, que é o pigmento que dá cor à pele e ao cabelo. As manchas podem aparecer em qualquer parte do corpo e em qualquer idade, mas geralmente afetam a face, mãos, cotovelos, joelhos e genitais. Embora a causa exata do vitiligo seja desconhecida, acredita-se que seja uma doença autoimune, onde o sistema imunológico do corpo ataca erroneamente e destrói os melanócitos.

É importante que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível para que o tratamento seja iniciado precocemente, o que pode resultar em uma maior eficácia no controle das manchas brancas. Quanto mais tempo sem tratamento, maior pode ser a dificuldade em recuperar a pigmentação normal da pele. O tratamento do vitiligo pode incluir terapia com luz, cremes tópicos, medicamentos orais e, em casos graves, transplante de melanócitos. O dermatologista é o profissional capacitado para avaliar e orientar o tratamento mais adequado para cada caso.

Ouvi dizer que a hanseníase também produz manchas claras na pele. Como diferenciar do pano branco e do vitiligo? Tem tratamento?

Sim. Importante pergunta, especialmente porque a hanseníase (antigamente denominada lepra) é uma doença infectocontagiosa e presente no Brasil. Afeta pessoas de todas as idades. Por isso, deve sempre ser lembrada. Pode se apresentar como manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele, comumente nos braços, pernas e/ou rosto, e não coçam.

Algumas características podem ajudar a diferenciar essas condições: as manchas esbranquiçadas da hanseníase não descamam, como no pano branco, e não são tão brancas como no vitiligo. Além dessas diferenças, as manchas da hanseníase, normalmente, são acompanhadas de diminuição da sensibilidade ao calor, ao toque e a estímulos dolorosos, o que não acontece em outras doenças.

O que é sarna?

Também conhecida como escabiose, é uma doença da pele, contagiosa, causada pelo Sarcoptes scabiei. Ela é transmitida pelo contato direto com pessoas doentes ou por compartilhamento de roupas ou itens pessoais contaminados, principalmente na escola ou em casa. A doença é caracterizada por pequenas lesões avermelhadas que aparecem principalmente no abdômen (especialmente ao redor e abaixo do umbigo), axilas, cotovelos, punhos, espaços entre os dedos das mãos, genitais e nádegas. Nas crianças, pode ocorrer também no couro cabeludo, palmas e plantas dos pés. A coceira intensa é um sintoma predominante e geralmente piora à noite. Não é raro ocorrer a infecção secundária das lesões com o surgimento de pústulas e crostas amareladas. Em pessoas com bons hábitos higiênicos, a sarna pode ser confundida com outras doenças que causam coceira. O tratamento inclui medicamentos tópicos ou orais e é importante que todos os indivíduos infectados sejam tratados ao mesmo tempo para evitar a reinfestação.

O tratamento geralmente envolve a aplicação de loções no corpo e, em casos especiais, o uso de medicação oral. É importante aplicar o medicamento em toda a pele do corpo, do pescoço para baixo, incluindo áreas sem lesões ou coceira. Deve-se, evite a face e a mucosa genital. Nas crianças menores, deve ser aplicado também no couro cabeludo. A aplicação é realizada à noite, antes de dormir, e é removida pela manhã com um banho. Além disso, é importante lavar toda a roupa de cama e banho que se usou durante o dia anterior. O procedimento é repetido por três dias consecutivos e, após uma semana, é repetido mais um dia.

Para crianças menores de 2 meses, a recomendação é usar apenas enxofre precipitado em loção, creme ou silicone. Para crianças maiores de 2 meses, podem ser usadas loções com permetrina ou deltametrina. Nas formas mais graves, na falha ao tratamento tópico ou na contraindicação do uso da medicação tópica, pode ser indicado o uso de medicação oral, como a ivermectina. Importante salientar que, a ivermectina não é recomendada para crianças com menos de 15 kg de peso corporal, para mulheres grávidas ou em fase de amamentação.

Todos da casa devem se tratar, mesmo quem não apresenta coceira. Todos devem iniciar a medicação no mesmo dia. É importante saber que a medicação para sarna pode causar dermatite de contato. O uso excessivo ou errôneo é responsável pela manutenção da coceira. Para prevenir a doença, não compartilhe roupas pessoais, de cama ou toalhas e evite aglomerações ou contato íntimo com pessoas de hábitos higiênicos duvidosos. Mantenha as unhas curtas. O médico definirá o tratamento adequado para a grávida.

O que é a larva migrans?

Ainda conhecida como bicho geográfico, é uma infecção causada pela penetração de larvas de vermes na pele. Essas larvas são parasitas de animais, principalmente cães e gatos, e podem penetrar na camada mais superficial da pele humana quando ocorre o contato com solo contaminado com fezes desses animais infectados. A infecção pode resultar em uma erupção cutânea caracterizada por lesão em forma de túnel avermelhado e tortuoso, com intensa coceira, que se move pela pele, muitas vezes com a aparência de uma trilha. Acomete principalmente os pés e nádegas, mas pode ocorrer em outras partes do corpo.

O tratamento, normalmente, é feito com pomada de tiabenzazol, massageando o local duas vezes ao dia. A aplicação de gelo protegido com pano fino, pode ajudar a aliviar a coceira. Quando há muitas lesões, pode ser necessário uso de medicação oral, prescrita pelo médico. A prevenção inclui medidas de higiene, como lavar as mãos e evitar andar descalço em áreas com solo contaminado.

Falem sobre o piolho. Como tratar?

O piolho é um parasita que se alimenta de sangue humano e é transmitido por contato direto com cabelos infestados, roupas ou objetos pessoais, como escovas, pentes e chapéus contaminados. Os sintomas mais comuns são coceira intensa no couro cabeludo e a presença de pequenos pontos brancos (lêndeas) aderidos aos fios de cabelo. Às vezes, pode ocorrer infecção secundária, levando ao surgimento de gânglios no pescoço.

Nem sempre é fácil encontrar o piolho, especialmente em crianças com bons hábitos de higiene e com cabelos fartos, mas as lêndeas podem ser facilmente encontradas.

O tratamento envolve o uso de remédios específicos para matar os parasitos, como a loção capilar com permetrina 1%. No entanto, é importante lembrar que esses produtos nem sempre matam as lêndeas, que podem continuar a se desenvolver e produzir novos piolhos.

Para remover as lêndeas dos cabelos, fazer uma solução de água morna e vinagre (na proporção de 1:1). Deve-se aplicá-la nos cabelos, deixando agir por alguns minutos. Isso ajuda a reduzir a aderência da lêndea à haste capilar. Em seguida, deve-se usar um pente fino para removê-las, penteando cuidadosamente os cabelos mecha por mecha. Esse procedimento deve ser repetido semanalmente, até o desaparecimento das lêndeas.

A prevenção passa pela adoção de medidas de higiene adequadas. Embora seja difícil evitar completamente algumas infecções, manter os cabelos curtos ou presos pode ser útil. Além disso, é fundamental comunicar à escola sobre casos de infestação, para que medidas preventivas possam ser tomadas, como a identificação de outros casos no ambiente escolar, e início precoce do tratamento, a fim de interromper o ciclo de reinfestação. Lavar todas as roupas de cama, toalhas e objetos pessoais em água quente e aspirar tapetes e sofás da casa também são medidas importantes para prevenir a recontaminação.

E o que é o bicho de pé?

Também conhecida como tunguíase é uma infecção causada por uma pulga encontrada em terrenos secos e arenosos, principalmente em chiqueiros e currais. A fêmea penetra a pele do hospedeiro, suga o sangue e produz ovos que crescem dilatando seu abdome. A lesão resultante é arredondada e amarelada, com ponto escuro no centro. Geralmente, acomete os pés, principalmente ao redor das unhas e nas dobras entre os dedos. É comum haver prurido e dor no local, e pode ocorrer infecção secundária.

O tratamento consiste em remover o parasito inteiro, incluindo a bolsa de ovos, com o auxílio de uma agulha esterilizada e com todo cuidado para não a romper. Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de antibióticos para tratar as infecções. A melhor forma de evitar a tunguíase é usar sapatos fechados em áreas suspeitas

Meu filho manchou a pele com limão! O que é isso?

É uma fotodermatite, reação tóxica que afeta a pele após o contato com substâncias fotossensibilizantes e exposição solar. A furocumarina é a substância responsável por essa reação e pode ser encontrada em algumas frutas cítricas, como limão, laranja, tangerina e lima, bem como em algumas plantas. Qualquer pessoa pode desenvolver essa reação, independentemente de ter histórico de alergias, desde que tenha entrado em contato com a substância fotossensibilizante e tenha se exposto ao sol.

É caracterizada por manchas avermelhadas em formatos variados que podem causar ardor e surgir de 24 a 72 horas após o contato com a substância. Em casos mais graves, bolhas semelhantes a queimaduras de segundo grau podem aparecer, deixando manchas escuras na pele após cicatrização. Em alguns casos, a reação pode começar com manchas escuras, sem apresentar a fase inicial de vermelhidão e bolhas. Essas manchas podem surgir em até duas semanas após o contato com a substância e exposição ao sol. Isso pode dificultar o diagnóstico, pois os pacientes podem não se lembrar do contato com a substância e da exposição solar que causaram as manchas.

As áreas mais afetadas são o dorso das mãos, o colo e os lábios. As manchas são frequentemente pontilhadas, causadas por respingos do suco da fruta ou em forma de dedos, correspondendo à área de contato da mão com a substância.

Durante a fase aguda da fitofotodermatite, o tratamento pode incluir hidratação, uso de creme de barreira e proteção solar adequada. Em casos mais graves, o dermatologista pode prescrever corticoides tópicos, isolados ou associados a antibióticos, caso haja sinais de infecção secundária. Além disso, a proteção solar é fundamental para evitar o escurecimento das manchas e favorecer o seu clareamento. O dermatologista pode ainda prescrever clareadores tópicos para acelerar o processo de clareamento. Mesmo sem tratamento, muitas regridem espontaneamente dentro de semanas ou meses.

A prevenção consiste em evitar o contato com plantas e frutas que contenham furocumarina. Caso ocorra o contato com essas substâncias, deve-se lavar a área imediatamente com água e sabão, evitar expor a pele ao sol e usar protetor solar.

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