Uma iniciativa

Tire dúvidas com o bot(81) 95168-8247
Conversando com o Pediatra

Parte II — Principais problemasCapítulo 33 de 46

Doenças infecciosas eruptivas

— Escarlatina, sarampo, varicela, rubéola, roséola, mononucleose infecciosa, doença mão-pé-boca, eritema infeccioso, varíola dos macacos, dengue, erupção pós vacinal e outras

Da escarlatina à roséola, da catapora à dengue: como reconhecer as doenças que marcam a pele, o que esperar de cada uma e quando afastar da escola.

  • AutoriaJoão Guilherme Bezerra Alves e Otelo Schwambach Ferreira
  • Leitura25 min · 5,295 palavras
  • No livropáginas 873–887
  • Conversa23 perguntas respondidas

Resumo do capítulo

Com números sobre sarampo, catapora e varíola dos macacos no Brasil, o capítulo lembra que as doenças que provocam erupção na pele continuam frequentes — e defende com ênfase a vacinação. Em perguntas e respostas, os pediatras explicam que nem toda erupção é infecciosa, que a febre pode ou não estar presente e que a criança com manchas na pele deve ser avaliada pelo médico.

São descritas a escarlatina — infecção bacteriana pelo estreptococo, tratada com antibiótico para evitar febre reumática e nefrite —, a catapora, a rubéola e seu risco na gravidez, a roséola, a mononucleose infecciosa e o eritema infeccioso, além de orientações sobre isolamento e retorno à escola. O capítulo reproduz ainda um texto da OMS sobre a varíola dos macacos e informações oficiais sobre a dengue: transmissão pelo Aedes aegypti, formas clássica e hemorrágica, tratamento e prevenção.

Para quem: Para pais e cuidadores de crianças em idade de creche e escola, que convivem com febres e manchas na pele.

escarlatinacataporaroséolarubéoladenguevacinação

33.1Guia prático

  • Criança ou adolescente, com erupção cutânea, sobretudo se febril, idealmente deve ser avaliado pelo médico para a definição do diagnóstico/tratamento.
  • Vários problemas clínicos cursam com erupção cutânea infecciosos (como os citados no título), basicamente dermatológicos (como impetigo e verrugas), reações às vacinas (contra sarampo e varicela), reações alérgicas (medicamentos e a alimentos) e de outro tipo (como na artrite reumatoide e no lúpus eritematoso sistêmico).
  • A maior parte das erupções cutâneas acompanhadas de febre é viral e não necessita antibiótico.
  • A escarlatina, infecção bacteriana pelo estreptococo, deve ser precocemente diagnosticada e tratada com antibiótico.
  • Os cuidadores devem evitar soluções caseiras (antialérgicos e cremes dermatológicos) que podem retardar o diagnóstico.

33.2Conversando...

Notícias atuais e tristes sobre o sarampo no Brasil dos dias atuais:

“Após os últimos casos de sarampo em 2015, o Brasil recebeu em 2016 a certificação da eliminação do vírus. Nos anos de 2016 e 2017, não foram confirmados casos de sarampo no País. Em 2018 foram confirmados 9.325 casos da doença. No ano de 2019, após um ano de circulação do vírus do mesmo genótipo, o País perdeu a certificação de ‘País livre do vírus do sarampo’, dando início a novos surtos, com a confirmação de 20.901 casos da doença. Em 2020 foram confirmados 8.448 casos e, em 2021, 676 casos de sarampo foram confirmados.”

“No Brasil, entre as semanas 1 e 25 de 2022, foram notificados 1.637 casos suspeitos de sarampo. 41 (2,5%) foram confirmados, 1.143 descartados e 453 permanecem em investigação.”

Dados brasileiros sobre a catapora (varicela):

“[...] é uma infecção viral comum no Brasil, tendo mais de 150 mil casos todos os anos. A doença pode acometer indivíduos de todas as idades, mas é mais comum em crianças. No Brasil, entre 2012 e 2017 foram notificados 602.136 casos de varicela no Brasil, a região Sul notificou 33 % dos casos.”

Agora sobre a varíola dos macacos:

“O Ministério da Saúde do Brasil confirmou, até a noite de quarta-feira (24 ago 2022), 4.144 casos de Varíola dos Macacos. Em 24 horas, foram registrados 160 novos casos da doença, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela pasta. São Paulo e Rio de Janeiro são os Estados brasileiros com o maior número de confirmações da nova varíola, com 2.640 e 508, respectivamente.”

Os dados anteriormente citados mostram que as doenças infecciosas que apresentam erupção cutânea em seu rol de sintomas continuam frequentes. O sarampo, doença hoje eventual, não será abordada no capítulo.

As vacinas mudaram o cenário dessas doenças, certo?

Certíssimo e ainda há os críticos das vacinas! Inacreditável! A vacina fez desaparecer a varíola que foi a mais terrível das doenças febris eruptivas do ser humano. O sarampo, a catapora e a rubéola também estão na lista das infecções eruptivas que serão extintas pelas vacinas. Notícias promissoras estão chegando sobre o imunizante contra dengue. A contra a varíola dos macacos já é uma realidade. Evidentemente a ciência ainda tem que conseguir vacinas úteis contra outras infecções. E que mudem os descrentes e que os governos invistam pesado na vacinação de todos.

Toda doença que apresenta erupção na pele é infecciosa?

Existem várias doenças não infecciosas que podem apresentar erupção cutânea: alergia a medicamentos e a alimentos, artrite reumatoide, lúpus eritematoso, síndrome de Stevens Johnson entre outras.

As enfermidades com erupção cutânea apresentam febre?

A febre pode existir ou não. Muitos pacientes com doenças infecciosas eruptivas não apresentam febre como a catapora e a rubéola. Ao contrário, outros com doenças não infecciosas eruptivas apresentam febre — na síndrome de Stevens Johnson que é uma reação grave a certos medicamentos.

A criança com erupção cutânea deve ser levada ao médico?

Acreditamos que sim. O médico é quem indicará se a doença é infecciosa ou não infecciosa, qual a importância do problema e qual a conduta a seguir.

Já ouvi falar na escarlatina. O que é?

A escarlatina é causada pela toxina de uma bactéria, o estreptococo, que causa amigdalite. Lembrar que a maioria das amigdalites é viral. O estreptococo também causa o impetigo, abscessos e outras infecções. O germe produz e libera grandes quantidades de toxina que causa o quadro cutâneo. A escarlatina ocorre durante essa infecção bacteriana, que atinge sobretudo a garganta.

Mas como suspeitamos da escarlatina?

As mães notam que a criança, sobretudo as de 4-8 anos de idade, começa com febre alta, abatimento, vômitos e muita dor de garganta. Logo surge uma vermelhidão difusa pelo corpo. A criança de pele clara fica tão vermelha com aspecto de casca de lagosta cozida. O médico deve examinar o enfermo, caracterizar os outros aspectos da doença (língua em framboesa, “pus” nas amígdalas), solicitar exames diagnósticos e afastar outras enfermidades com quadro parecido (exemplo: mononucleose infecciosa).

Toda infecção pelo estreptococo apresenta escarlatina?

Apenas alguns tipos de estreptococo produzem a toxina responsável pelo quadro cutâneo. Quando a infecção é por uma bactéria não produtora de toxina, existe a amigdalite e não existe a escarlatina.

Como é o tratamento da escarlatina?

O tratamento é com antibiótico. A infecção da garganta por estreptococo e a escarlatina são doenças importantes. Quando não diagnosticadas e não tratadas corretamente, podem produzir duas sequelas importantes: febre reumática e nefrite. O diagnóstico e o tratamento precoces das infecções pelo estreptococo impedem o aparecimento desses problemas que podem ser graves.

A escarlatina é doença importante?

É muito importante. Vocês perceberam bem. Mas também é importante em face de outro aspecto. Há uma enfermidade que muito parece com a escarlatina, a doença de Kawasaki. Essa última não tem origem bem definida. O que se sabe, além dessa semelhança com a escarlatina, é que pode deixar graves sequelas no coração da criança. Isso é para alertar mais uma vez que toda criança com vermelhidão na pele, com ou sem febre, deve ser consultada pelo pediatra para que o diagnóstico seja feito.

Gostaríamos de saber alguns dados sobre a catapora.

A varicela (catapora) é doença viral e ocorre, principalmente, em crianças e adolescentes não vacinados. Após um ou dois dias de febre baixa, que pode não existir, e sem que ocorram outros sinais, começam a aparecer na pele pequenas bolhinhas (vesículas) cheias de líquido que coçam muito. As lesões ocorrem em maior número no tronco e com menor número nos membros. Podem ser observadas lesões na mucosa bucal, vaginal e ocular. As vesículas continuam a aparecer por 2-3 dias. Na doença mais simples, a febre logo cede e o total de vesículas não é muito grande. Mas algumas vezes o quadro é mais intenso, a febre pode ser muito alta e durar muitos dias. Existe habitualmente forte astenia, mal-estar e intensa anorexia. O quadro cutâneo pode ser representado por centenas de vesículas o que ocorre principalmente em adultos. A catapora é muito grave em pacientes que estão usando cortisona ou têm doenças que comprometem a imunidade. Os pediatras devem ser informados rapidamente quando os familiares souberem que um deles teve contato com portador da catapora. Para esses doentes, pode estar indicada a globulina específica ou uma droga antiviral.

Como é o tratamento?

É baseado em medidas higiênicas: evitar coçar para não romper as vesículas; cortar as unhas bem rentes; banhar com sabonete comum e enxugar com cuidado; evitar muitos produtos na pele que podem facilitar a ruptura das vesículas; pensar em medicações que reduzem a coceira (antialérgico) e usar o antifebril — a aspirina não deve ser empregada; avisar ao médico, pois algumas complicações podem ser observadas, principalmente a infecção secundária (piodermite), que podem necessitar medidas especiais.

Como é a recuparação da pele de quem teve catapora?

A recuperação total da pele pode levar de três a quatro semanas. Nessa fase, é importante evitar exposição ao sol.

E a rubéola?

A rubéola é doença viral habitualmente de evolução muito simples e sem gravidade. Os adolescentes e os adultos jovens são os mais acometidos. A maioria dos infectados não apresenta dados clínicos da doença. Os que manifestam sintomas, após 2-3 semanas do contato com a pessoa doente, apresentam febre baixa, gânglios linfáticos aumentados e manchas rosadas, que se espalham primeiro pelo rosto e depois pelo resto do corpo. Pode ocorrer ainda astenia discreta, falta de apetite e dor de garganta. Dor nas articulações e outros eventos são incomuns. O quadro cede em poucos dias, sem tratamento específico. Hidratação adequada e repouso são suficientes. Os conflitos maiores sobre o que fazer é quando a rubéola afeta a grávida. É aí que a infecção mostra a sua real importância.

O que pode ocorrer nessa última situação?

É real o risco para o feto com menos de 3 meses de gestação quando a mãe adquire a rubéola. Defeitos congênitos graves e até a morte fetal podem ser o resultado da infecção pelo vírus da rubéola nessa fase da gravidez. E faz parte do planejamento para uma gestação sadia, além de muitos outros cuidados, rever a vacinação contra a rubéola. Quando ainda não foi realizada, deve ser providenciada de imediato. O ideal é que seja feita muitos meses antes da sonhada gravidez. O risco de outras infecções — apresentem ou não erupção cutânea — causarem doença fetal não é bem definido pela medicina. Mas, por prudência, o obstetra deve sempre ser avisado quando a gestante tem contato com uma criança ou um adulto com erupção cutânea de qualquer natureza. Cabe ao médico solicitar exames para definir se a gestante está protegida contra a rubéola — existem exames para demonstrar isso — e também solicitar definição sobre o diagnóstico da doença que acomete a pessoa portadora da erupção cutânea.

A vacina contra a rubéola é obrigatória!

Exatamente isto. A vacinação universal da criança é basicamente para evitar que ela contamine a mulher grávida. E toda mulher que planeja engravidar deve rever seu programa vacinal e verificar se está devidamente protegida contra a infecção. Se há dúvida, a vacina pode ser repetida. Ou pode ser feita pesquisa de anticorpos no sangue para avaliar a imunidade contra a rubéola. E lembrar sempre que a grávida não imunizada pode ter contato com pessoa infectada pelo vírus da rubéola. A maior parte deles não apresenta sintomas. Então o tema deve sempre ser bem estudado.

Quais os sintomas da roséola?

A roséola ou exantema súbito é uma das doenças febris mais típicas da criança. É viral e mais comum em crianças de escolinha. Ocorre na meninada de 6 meses a 3 anos. Há febre alta, muito alta, e nada mais por 2 ou 3 dias. Além disso, as mães nada vêm nos seus filhos — não há sinais gripais, não há diarreia, não há nada, as crianças brincam, correm, pulam, comem e nenhuma outra anormalidade é notada; elas simplesmente estão com febre muito alta; o remédio de febre é usado e, após um curto período em que cede apenas parcialmente, a temperatura corporal volta a ficar muito alta; os médicos também nada encontram — olham as gargantas, os ouvidos, pensam em infecção urinária, mas nada obtém de positivo e o exame de sangue (leucograma) e o de urina nada informam. Lá pelo terceiro dia, pode ser um pouco antes ou um pouco mais tarde, começam a aparecer umas pintinhas ou manchinhas vermelhas na face que rapidamente tomam o corpo, aí, como que miraculosamente, a febre subitamente desaparece; só então é possível definir com precisão o diagnóstico, roséola. A cura, como deduzida dessa descrição, é espontânea, sem necessidade de antibióticos, nada a fazer e o quadro cutâneo cede sem remédios, sem antialérgicos, sem pasta d´água, em dois dias.

A criança com roséola pode ter convulsão?

A roséola atinge a criança na faixa etária em que a convulsão febril é mais comum. Na lista de doenças que produzem febre e convulsão, a roséola é destacada. Existem pesquisadores que citam que o vírus que causa a roséola tem uma capacidade maior de produzir a convulsão febril.

Gostaríamos de saber algo sobre a mononucleose infecciosa.

A mononucleose infecciosa é causada por um vírus que tem intensa afinidade por todos os tecidos linfáticos do corpo: gânglios, baço, amígdalas e adenoides. O vírus é transmitido da pessoa doente à sadia e acomete, mais frequentemente, as crianças da época escolar e os adolescentes. Há febre baixa, moleza, falta de apetite e aumento acentuado dos gânglios do pescoço e de outras regiões do corpo. O baço e o fígado são acometidos e podem surgir sinais de hepatite — icterícia e alterações laboratoriais de doença hepática. O acometimento das amígdalas (dor de garganta, dificuldade de deglutir, “pus” nas amígdalas) e das adenoides (dificuldade para respirar pelo nariz e ronco) surge, em alguns doentes. A erupção cutânea pode ser de vários aspectos e ocorre, sobretudo, se o paciente está usando penicilina.

O diagnóstico parece muito simples, não é?

Os médicos devem examinar todos os doentes que estão com febre e aumento dos gânglios, com ou sem erupção cutânea, para definir o diagnóstico e afastar outros. Um dos aspectos principais que os médicos têm que resolver é separar a amigdalite por estreptococo da causada pela mononucleose. Além disso, devem verificar a intensidade do adoecimento das adenoides e do fígado, por exemplo, e traçar o plano terapêutico.

Como é o tratamento da mononucleose infecciosa?

A cura é espontânea, sem antibióticos. Mas a doença involui mais lentamente que a grande parte das viroses tão típicas da criançada. São necessárias duas ou mais semanas para que a cura seja total. Algumas vezes, há que se usar medidas de exceção — corticoides, por exemplo.

O que é a doença mão-pé-boca?

A doença mão-pé-boca está descrita no capítulo das Estomatites, neste livro.

O que é o eritema infeccioso?

De cinco em cinco anos, aproximadamente, são observados casos de eritema infeccioso que é uma infecção viral. É doença sem gravidade especial e até os médicos têm certa dificuldade de diagnosticá-la. A criança, de 2 ou mais anos, não apresenta febre nem outros dados gerais significativos, brinca, corre, come, e começa a apresentar manchas na pele. As lesões da pele surgem na face e as duas bochechas ficam uniformemente avermelhadas. Nas regiões expostas ao sol, nos membros, é onde surgem mais lesões cutâneas. São de caráter rendilhado, formando desenhos. Não são pruriginosas. As lesões dos membros desaparecem e reaparecem. O quadro pode durar duas a três semanas. Não há tratamento. Não é necessário afastar da escola. A exposição ao sol intensifica a erupção.

Existem outras viroses que apresentam erupção na pele?

Existem muitas outras. Várias doenças virais que apresentam febre associada a um ou mais dos sintomas de acometimento respiratório (coriza, dor de garganta, aftas na garganta, tosse) e/ou digestivo (vômito e diarreia) podem apresentar erupção cutânea. Até os vírus causadores das hepatites podem produzir o quadro cutâneo eruptivo. Essa erupção pode ser como a da roséola, caracterizadas por múltiplas pintinhas ou manchinhas avermelhadas difusas por todo o corpo, ou por lesões mais grosseiras, elevadas, parecidas com as lesões da urticária alérgica. O diagnóstico só pode ser definido pelo médico que deve sempre tentar diagnosticar com precisão qual a doença causal (hepatite?) e verificar a possibilidade de outras doenças que muito parecem com as doenças virais eruptivas. Mas não é comum que o profissional consiga definir o diagnóstico com precisão e, na maior parte das vezes, o que ele consegue é dizer que é uma virose eruptiva. A erupção cutânea produzida por remédios numa criança que está com doença febril é o que mais dificulta o diagnóstico do médico.

Quais dessas doenças precisam de isolamento?

Essa é uma questão extremamente importante e aí vão alguns conselhos:

  1. Avisar aos familiares das crianças e dos adolescentes que mantiveram contato com o doente. Isso é para facilitar o diagnóstico caso surjam sintomas nas pessoas que tiveram contato com o doente.
  2. Tentar evitar contato da criança doente com as da mesma família e, se ela mora num condomínio, é prudente evitar o contato com a meninada que ali habita.
  3. Avisar aos pediatras e eles recomendarão sobre: isolamento, vacinação e outras medidas preventivas.
  4. Evitar que durante uma doença febril as crianças compareçam à escola.
  5. Proceder assim no caso de todas as doenças contagiosas:
  6. Escarlatina — O paciente deve ir à escola após dois dias do início do tratamento.
  7. Catapora — A catapora é transmissível dois dias antes do aparecimento da primeira lesão cutânea e nos sete dias da fase eruptiva. Após o sétimo dia do período eruptivo, as crianças podem ir para a escola. Mas é importante informar que, nesse período, a pele ainda deve apresentar lesões não integralmente curadas o que pode assustar as professoras e as outras mães. É importante levar uma declaração do médico informando que a doença não é contagiosa nessa fase.
  8. Roséola — Como a febre é muito alta e nos primeiros dias é impossível diagnosticar o que está ocorrendo, as crianças febris devem ficar em casa para os cuidados da fase febril e para proteger as outras crianças.
  9. Hepatite — Os familiares dos pacientes receberão dos médicos uma orientação especial, até sobre vacinação das pessoas que conviveram recentemente com o doente e sobre as medidas preventivas especiais.
  10. Mononucleose — Não é infecção que exige o afastamento das atividades escolares. Os médicos orientarão sobre o período que o paciente com mononucleose ficará em casa. Isso depende da forma clínica da doença. Às vezes, por cinco a dez dias, existe grande abatimento que dificulta o cumprimento das atividades cotidianas.
  11. Eritema infeccioso — Não é doença que exige afastamento da escola pois quando o quadro clínico é evidenciado o vírus causal já foi eliminado do corpo.
  12. Outras viroses eruptivas sem denominação específica — não são necessárias medidas especiais de isolamento. Os pacientes são mantidos em casa para observação.

Vacina pode causar erupção cutânea?

A vacina do sarampo pode produzir, num pequeno percentual de crianças, uma erupção cutânea discreta. A da catapora também pode provocar reação idêntica.

Roséola, catapora ou outras doenças ocorrem de novo?

Essas doenças causam imunidade duradoura. Ou seja, quem teve catapora não deve ter outra vez a doença. O mesmo ocorre com a roséola. Também quem teve mononucleose provada pelo vírus Epstein-Bar (EB) não deve ter de novo. O que ocorre é que há outras infecções virais que produzem quadros clínicos que podem ser diagnosticados erroneamente. A doença mão-boca-pé apresenta alguns dados clínicos muito parecidos com o da catapora e é com ela confundida. Vários outros vírus conhecidos e, seguramente muitos ainda não conhecidos, ocasionam quadro cutâneo semelhante ao da roséola. O citomegalovírus e vários outros distintos do EB também produzem doença semelhante à mononucleose. Portanto, há vários vírus que provocam doenças com quadros clínicos muito parecidos ou idênticos. Isso é o que justifica, por exemplo, os diagnósticos de roséola e de mononucleose em clientes que apresentaram anteriormente tais enfermidades.

33.3Varíola dos macacos

O texto abaixo foi publicado em 23/05/2002 pela OMS:

Casos da varíola dos macacos (monkeypox) não param de surgir em países onde a doença não é endêmica, a maioria deles na Europa. Diante disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem atualizando a quantidade de casos, a forma de transmissão e os sintomas que envolvem a doença ‘prima’ do vírus da varíola comum, que foi erradicado do planeta em 1980 com o apoio do órgão de saúde mundial.

De acordo com a OMS, até 21/5, foram confirmados 92 casos em ao menos 12 países onde a doença não é endêmica, todos da linhagem encontrada em países da África ocidental, porém sem relação direta com viagens ao continente africano. Esse evento é considerado pelo órgão como ‘altamente incomum’ e a OMS ‘espera que mais casos em áreas não endêmicas sejam relatados’.

Transmissão

A varíola dos macacos é transmitida pelo monkeypox, vírus que pertence ao gênero orthopoxvirus da família Poxviridae, e é considerada uma zoonose viral (o vírus é transmitido aos seres humanos a partir de animais) com sintomas muito semelhantes aos observados em pacientes com varíola, embora seja clinicamente menos grave. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de seis a 13 dias, mas pode variar de cinco a 21 dias, segundo a OMS.

A transmissão ocorre por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. E, segundo o órgão de saúde, a transmissão humano para humano está ocorrendo entre pessoas em contato físico próximo com casos sintomáticos.

Várias espécies animais foram identificadas como suscetíveis ao vírus da varíola dos macacos, mas permanece incerta a história natural do vírus, sobretudo os possíveis reservatórios e como a sua circulação é mantida na natureza. A ingestão de carne e outros produtos de origem animal malcozidas de animais infectados é um possível fator de risco, indica a OMS.

Sintomas

A OMS descreve quadros diferentes de sintomas para casos suspeitos, prováveis e confirmados. Passa a ser considerado um caso suspeito qualquer pessoa, de qualquer idade, que apresente pústulas (bolhas) na pele de forma aguda e inexplicável e esteja em um país onde a varíola dos macacos não é endêmica. Se este quadro for acompanhado por dor de cabeça, início de febre acima de 38,5°C, linfonodos inchados, dores musculares e no corpo, dor nas costas e fraqueza profunda, é necessário fazer exame para confirmar ou descartar a doença.

Casos considerados ‘prováveis’ incluem sintomas semelhantes aos dos casos suspeitos, como contato físico pele a pele ou com lesões na pele, contato sexual ou com materiais contaminados 21 dias antes do início dos sintomas. Soma-se a isso, histórico de viagens para um país endêmico ou ter feito tido contato próximo com possíveis infectados no mesmo período e/ou ter resultado positivo para um teste sorológico de orthopoxvirus na ausência de vacinação contra varíola ou outra exposição conhecida a orthopoxvirus. Casos confirmados ocorrem quando há confirmação laboratorial para o vírus da varíola dos macacos por reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real e/ou sequenciamento.

Origem e características do vírus

O nome monkeypox se origina da descoberta inicial do vírus em macacos em um laboratório dinamarquês em 1958. O primeiro caso humano foi identificado em uma criança na República Democrática do Congo em 1970.

Existem dois clados (linhagens) do vírus da varíola dos macacos: o da África Ocidental e o da Bacia do Congo (África Central). As infecções humanas com o clado da África Ocidental parecem causar doenças menos graves em comparação com o clado da Bacia do Congo, com uma taxa de mortalidade de 3,6% em comparação com 10,6% para o clado da Bacia do Congo, segundo a OMS.

Os países onde a varíola dos macacos é considerada endêmica são: Benin, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Gana (identificado apenas em animais), Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, República do Congo, Serra Leoa e Sudão do Sul.

Tratamento e prevenção

A varíola geralmente é autolimitada, ou seja, pode ser curada com o tempo e sem tratamento, mas pode ser grave em alguns indivíduos, como crianças, mulheres grávidas ou pessoas com imunossupressão devido a outras condições de saúde. A OMS desaconselha a vacinação em massa contra a varíola Monkeypox. A vacinação é indicada apenas em situações especiais.”

33.4Dengue

Na primeira edição deste livro, 2013, foi registrado que “a dengue é a doença infecciosa mais importante do Brasil atual...”. Agora, a covid-19 tirou a dengue do pódio, mas a arbovirose continua firme entre nós. Nos últimos meses de 2022, são estes alguns dados sobre a ocorrência da dengue no Brasil:

  • Em 2022, até meados de outubro, houve aumento de 184,6% no número de casos prováveis de dengue em comparação com o mesmo período de 2021. As ocorrências passaram de 478,5 mil casos, no ano passado, para 1,3 milhão neste ano. Foram 909 óbitos confirmados em 2022.
  • Brasil vive explosão de casos de dengue em 2022. Ano pode terminar com recorde de mortes pela doença. Total de mortes por dengue em 2022 já é maior do que o registrado nos últimos seis anos. Até a primeira semana de dezembro, 978 óbitos foram confirmados e mais de 1,4 milhão de casos registrados.

As informações abaixo sobre a dengue, por serem clássicas e ainda válidas, são apresentadas como na primeira edição do Conversando com o pediatra. Foram adaptadas de uma publicação oficial do governo brasileiro no Portal da Saúde. (http://www.saude.gov.br).

Informações básicas – transmissibilidade

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por quatro tipos de vírus (DEN 1, 2, 3 e 4). A infecção por um deles dá proteção permanente contra o mesmo tipo e imunidade parcial e temporária contra os outros três.

O mosquito Aedes aegypti transfere a doença do indivíduo infectado para o sadio. O mosquito infectado pode transportar o vírus da dengue e assim contaminar muitas pessoas ao longo de todo o seu ciclo de vida. A dengue é caracterizada por essa cadeia: mosquito não infectado se torna infectado após picar o homem infectado à mosquito infectado pica o homem susceptível se torna infectado à mosquito não infectado.

A fêmea do mosquito deposita os ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana quando se transformam em mosquitos adultos prontos para picar as pessoas. O Aedes aegypti procria numa velocidade prodigiosa e o adulto vive em média 45 dias.

A transmissão da doença ocorre mais quando a temperatura gira em torno de 30° a 32° C. A fêmea coloca os ovos e, em condições adequadas, os embriões se desenvolvem em 48 horas. Os ovos embrionados suportam períodos secos de até um ano e podem ser transportados por longas distâncias fixos nas bordas dos recipientes. Da fase do ovo até a fase adulta, há um período de dez dias. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois desse acasalamento, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, como do ser humano, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos.

O Aedes aegypti mede menos de um centímetro e tem aparência inofensiva, cor café ou preta com listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois no momento não dói e nem coça.

Quadro clínico

Os sintomas da infecção em geral se manifestam, em média, de cinco a seis dias após a picada. Existem duas formas clínicas:

Dengue Clássica — subitamente ocorrem febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos e que agrava com os movimentos oculares, perda do paladar e do apetite, erupção cutânea principalmente no tórax e membros superiores, náuseas e vômitos, tonturas, cansaço intenso, moleza e dores no corpo, nos ossos e nas articulações. Esse quadro dura até cerca de sete dias e após esse período os sintomas começam a diminuir até desaparecer.

Dengue Hemorrágica — os sintomas iniciais são os mesmos da dengue clássica e quando a febre desaparece começam a surgir: dores abdominais fortes e contínuas, vômitos persistentes, pele pálida, fria e úmida, sangramento pelo nariz, na boca e nas gengivas, manchas vermelhas na pele, sonolência, agitação, confusão mental, sede excessiva e boca seca, pulso rápido e fraco, dificuldade respiratória e perda de consciência.

O quadro clínico da dengue hemorrágica tende a se agravar rapidamente e podem aparecer sinais de instabilidade circulatória com queda da pressão arterial (choque), o que pode terminar com morte em até 24 horas. Cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem.

Tratamento

A primeira medida é buscar ajuda médica. Além do exame clínico existem dados laboratoriais que ajudam a definir a doença e a sua gravidade.

Não existe antibiótico para tratar a infecção. Os cuidados são para ajudar os enfermos a superarem a fase aguda da doença. A medida mais importante é a hidratação oral (água, sucos, refrescos, água de coco, chãs) que deve ser cuidadosamente executada ao longo de toda a fase febril da enfermidade. O repouso é essencial. Os remédios para a febre e a dor devem ser receitados pelos médicos que prescrevem um plano de seguimento.

Prevenção
1 - Luta contra o Aedes aegypti

O problema é que a reprodução do Aedes aegypti ocorre em qualquer recipiente utilizado para armazenar água, tanto em áreas sombrias como ensolaradas: caixas d’água, barris, tambores, vidros, potes, pratos e vasos de plantas, tanques, cisternas, garrafas, latas, pneus, panelas, calhas de telhados, bandejas, bacias, drenos de escoamento, canaletas, blocos de cimento, urnas de cemitério, folhas de plantas, tocos e bambus, buracos de árvores e muitos outros, onde a água da chuva é coletada ou armazenada.

Assim, a prevenção e as medidas de combate exigem a participação e a mobilização de toda a comunidade a partir da adoção de um conjunto de medidas simples que visam à interrupção do ciclo de transmissão da infecção. As ações isoladas são insuficientes.

Numa epidemia da dengue, há a necessidade de serem executadas medidas de controle como o uso de inseticidas aplicados através de carro “fumacê” para diminuir o número de mosquitos adultos transmissores e interromper a disseminação da doença. Nessa oportunidade, a comunidade deve cooperar com o processo, mantendo as portas e janelas das casas abertas, de modo a permitir a entrada do inseticida.

2 - Medidas que evitam as picadas do inseto

As pessoas não picadas pelos insetos não adoecem e não se tornam um foco de transmissão da doença. Veja algumas dicas para evitar as picadas:

Medidas para evitar a picada de mosquito:
  • Espirais ou vaporizadores elétricos: devem ser colocados ao amanhecer e/ ou no final da tarde, antes do pôr do sol, horários em que os mosquitos da dengue mais picam.
  • Mosquiteiros: devem ser usados principalmente nas casas com crianças. Devem cobrir as camas e outras áreas de repouso, tanto durante o dia quanto à noite.
  • Repelentes: podem ser aplicados no corpo, mas devem ser adotadas precauções quando utilizados em crianças pequenas e idosos, em virtude da maior sensibilidade da pele.
  • Telas: usadas em portas e janelas, são eficazes contra a entrada de mosquitos nas casas.
Medidas para a eliminação dos locais de reprodução do mosquito:
  • Tampar os grandes depósitos de água: é essencial a boa vedação com tampas dos recipientes como caixas d’água, tanques, tinas, poços e fossas que impedirão os mosquitos depositarem seus ovos. Esses locais, se não forem bem vedados, permitirão a fácil entrada e saída de mosquitos.
  • Remover o lixo: o acúmulo de lixo e de detritos em volta das casas pode servir como excelente meio de coleta de água de chuva. Portanto, as pessoas devem evitar tal ocorrência e solicitar sua remoção pelo serviço de limpeza pública ou enterrá-los ou queimá-los, onde isto for permitido.
  • Fazer controle químico: existem larvicidas seguros e fáceis de usar, que podem ser colocados nos recipientes de água para matar as larvas em desenvolvimento. Esse método para controle doméstico da dengue em cidades grandes tem sido usado com sucesso por várias secretarias municipais de saúde e é realizado pelos agentes públicos de controle da dengue.
  • Limpar os recipientes de água: não basta trocar a água do vaso de planta ou usar um produto para esterilizar a água, como a água sanitária. É preciso lavar as laterais e as bordas do recipiente com bucha, pois nesses locais os ovos eclodem e se transformam em larvas.
3 - Outras importantes medidas:
  • Qualidade e quantidade da água: um eficiente tratamento da água e sua disponibilidade à população são importantes para a prevenção da dengue. A falta d’água força as pessoas a armazenarem-na em recipientes que podem tornar-se criadouros para os mosquitos transmissores.
  • Coleta de lixo: a coleta regular de lixo também reduz os possíveis criadouros de mosquitos.
  • Inspeção domiciliar para controle da reprodução de mosquitos: quando isso for necessário, visitas domiciliares determinam se há reprodução de mosquitos dentro e em volta das casas. Os inspetores públicos ensinam aos moradores os meios para impedir a reprodução dos mosquitos.
  • Campanhas de educação em saúde: o primeiro passo para uma adequada ação contra o mosquito da dengue é informar as comunidades sobre a doença e sobre as medidas adequadas para combatê-la.
  • Preparação para emergências: no caso de disseminação da dengue, as comunidades e municípios devem adotar medidas para a proteção contra a doença. Planos de ação devem ser formulados e implantados em conjunto pelas autoridades sanitárias nacionais, estaduais e locais, incluindo a habilitação dos médicos e dos enfermeiros, a identificação de unidades de saúde de referência, a obtenção de equipamentos para a aplicação dos inseticidas, sua estocagem, fornecimento de veículos e outras medidas consideradas necessárias.
  • Campanhas de remoção de lixo: as atividades de remoção de lixo têm efeitos duradouros e amplos, não apenas sobre o mosquito da dengue como também sobre moscas, roedores e baratas.
  • Campanhas escolares: a participação das escolas no processo de promoção da saúde e de uma comunidade é de grande importância. Os estudantes podem participar ativamente das campanhas de informação, levando para sua família e seus vizinhos as mensagens educativas recebidas. Inicialmente, participam limpando a própria escola. Posteriormente, adotam a mesma iniciativa em suas casas e arredores. As escolas podem organizar projetos e centros de interesse.

Repetimos que o texto faz parte de uma estratégia educacional para os familiares e nunca procura substituir a consulta médica individualizada.

Tire dúvidas(81) 95168-8247